Riquezas são diferenças
Folha de São Paulo, 07/01/92
Muita estupidez e preconceito se têm lido nas páginas dos jornais, seja na opinião dos próprios jornalistas, seja na declaração de pessoas do meio artístico musical, tendo por objeto a cor da pele de Michael Jackson.
Não quero falar aqui da sua música, que continua exercendo o caminho natural de sua genialidade; nem do espaço poderoso que ela ocupa no mundo todo. Quero falar da clareza de Michael Jackson. Mesmo que para isso eu tenha de aceitar a condição da imprensa em geral, que tomou essa questão como um escudo para não comentar com o devido respeito seu último disco.
Michael Jackson teve a pele negra. Ficou mulato em Thriller, clareou mais em Bad e agora aparece completamente branco em Dangerous. O mal-estar que isso vem causando é assustador, nessa beirada do ano 2000. Que ele "negou a sua raça", "se corrompeu", "virou um monstro", entre ofensas piores.
O pior ataque dessa onda se leu numa matéria assinada por Sérgio Sá Leitão, na seção denominada "Fique por dentro" (?), no Folhateen de 9/12/91, que, além de desprezar sem nenhum fundamento Dangerous ("O fundamental em Michael Jackson já não é mais a música — como o era na época de Thriller, seu álbum-emblema") e lamentar a mudança de cor enquanto perda de identidade ("Com sua identidade diluída, falta também a Michael Jackson a legitimidade indispensável a qualquer astro da cultura pop"), começa (na manchete) e termina (na conclusão da matéria) com uma frase de efeito de uma agressividade despropositada: "Michael Jackson é o eunuco do pop". Tendo-se em conta a potência que ele representa, não apenas em seu som, mas também como fenômeno de massas no planeta, tal inversão só pode ser interpretada como fruto de ódio. Parece a indignação de um membro da Ku Klux Klan defendendo a pureza racial ameaçada por esse branco que não nasceu branco.
Brancos sempre puderam parecer mulatos, bronzear-se ao sol ou em lâmpadas específicas para esse fim, fazer permanente para endurecer os cabelos. Tudo isso visto com naturalidade e simpatia. Tatuagem, que é uma técnica predominantemente usada por brancos, pode. Até mesmo aquela caricatura do Al Johnson era vista com graça. Agora, o negro Michael Jackson entregar seu corpo à transcendência da barreira racial desperta revolta, reações de protesto e aversão.
O espaço da ficção é permissivo. Todo mundo acha bacana Raul Seixas haver cantado "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", ou haver existido uma banda chamada "Mutantes". Há um consenso na aceitação da promiscuidade racial de Macunaíma, como traço característico de nossa identidade antropológica. Agora, quando adentramos o campo da vida real as máscaras moralistas, racistas, preservacionistas da estagnação se mostram, contra a liberdade individual de se fazer o que quiser da própria pele.
É que Michael Jackson é um Macunaíma ao avesso. Se o anti-herói de Mário de Andrade faz de si a parábola da gênese das diferenças raciais no espaço ficcional, Michael Jackson representa, em carne e osso, a abolição dessas fronteiras. Mas parece que, mais de cem anos depois, o Brasil ainda não está preparado para aceitar a Abolição.
Os negros que estão condenando a mutação de Michael Jackson, insinuando ser ela fruto de inveja de uma suposta condição dos brancos, acabam na verdade chegando a um veredito semelhante ao do racismo branco que diz: "Como esse negro se atreve a usar a minha cor em sua pele?"Michael Jackson continua cantando com o mesmo swing de quando tinha a pele preta, e dançando cada vez mais lindamente aquela dança que influenciou milhares de negros no mundo inteiro. Ele ostenta a pele clara como quem diz "eu posso". E canta: "I'm not going to spend my life being a color". E faz de seu corpo a prova de que a questão racial vai muito além da cor da pele.
O corpo é para usar. O corpo é para ser usado. Michael Jackson está colocando seu corpo a serviço de um tempo em que a pessoa valha antes das raças, e o planeta antes das nações. Não se trata de extinguir as diferenças, mas de fundar radicalmente a possibilidade de trânsito entre elas. A miscigenação que se fez aqui (nesse país onde todos somos um pouco mulatos ou mamelucos), diacronicamente, durante séculos, faz-se sincronicamente nele.
Michael Jackson é preto e é branco. Não fala em nome de uma raça ou casta, mas encarna em si a diferença. Não é mais americano porque é do mundo todo ("Protection/for gangs, clubs,/ and nations/ causing grief in/ human relations/ It's a turf war/ On a global scale/ I'd rather hear both sides/ of the tale", canta em Black or White). O incômodo está justamente nesse exercício de liberdade. Ele não precisa explicar nada. As respostas estão todas na sua cara. Ou naquelas caras tão diferentes se transformando umas nas outras, no clip de Black or White."...Eu me tomo as estrelas e a lua. Eu me tomo o amante e o amado. Eu me tomo o vencedor e o vencido. Eu me tomo o senhor e o escravo. Eu me tomo o cantor e a canção. Eu me tomo o conhecedor e o conhecido... Eu continuo dançando... e dançando... e dançando, até que haja apenas... a dança" (Michael Jackson, em The Dance).
domingo, 30 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Fotos
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cronograma de atividades 2009.2
AGOSTO
12 – apresentação, discussão e elaboração do programa da disciplina, organização das atividades do semestre.
19 - texto introdutório sobre identidade e cultura. Ler WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, Vozes, 2007, p. 7 a 72.
26 – algumas origens das opressões aos negros. Ler FANON, Frantz. O preto e a psicopatologia. In: Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Edufba, 2008, p. 127 a 174.
SETEMBRO
2 – com e contra Fanon. Ler BHABHA, Homi K. Interrogando a identidade. Frantz Fanon e a prerrogativa pós-colonial. In: ______. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003, p. 70 a 104.
9 - continuação da discussão sobre identidade e raça/etnia. Ler GILROY, Paul. O atlântico negro como contracultura da modernidade. In: O atlântico negro. São Paulo: Editora 34, p. 33 a 100.
16 - Ler Hall, Suart. Quem precisa de identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, Vozes, 2007, p. 103 a 133 e HALL, Stuart. Que “negro” é esse na cultura negra?. In: Da diáspora. Identidades e mediações culturais. Organização Liv Sovik, Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003, p. 335 a 349.
23 - Discussão sobre os aspectos teóricos e a política do movimento negro brasileiro. Ler texto RISÉRIO, Antonio. A utopia brasileira e os movimentos negros. São Paulo: Editora 34, p. 17 a 67.
30 – Quito (a confirmar)
OUTUBRO
7 – Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais) – Bolívia
14 - Discussões sobre auto-identidade. Ler GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002, p. 9 a 69.
21 - Continuação. Ler GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002, p. 70 a 103.
28 – com e contra Giddens. CUNHA, Eduardo Leal. Quem quer que seja você, qualquer que seja seu desejo. In: Indivíduo singular e plural. A identidade em questão. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras, 2009, p 127 a 167.
NOVEMBRO
4 – Gênero, identidade e psicanálise - MITCHELL, Juliet. Freud e Lacan: teorias psicanalíticas da diferença sexual. In: Psicanálise da sexualidade feminina. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1988. p. 27-54.
11 - Problematizando o conceito de gênero e o feminismo de segunda onda. Ler BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003, p. 17 a 60.
18 - A teoria da performatividade de gênero. Ler BUTLER, Judith. Críticamente subversiva. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 55 a 81.
25 – Pensando as políticas de gênero. Ler MOUFFE, Chantal. Feminismo, cidadania e política democrática radical. In: Debate Feminista. Ed. Especial Cidadania e Feminismo, México / São Paulo, 1999, p. 29 a 47 e BONDI, Liz. Localizar as políticas de identidade. In: Debate Feminista. Ed. Especial Cidadania e Feminismo, México / São Paulo, 1999, p.245 a 265.
DEZEMBRO
2 - GAMSON, Joshua. Deben autodestruirse los movimientos identitarios? Un extraño dilema. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 141 a 172.
Obras panorâmicas básicas – leituras pressupostas
Sobre identidade:
BAUMANN, Zygmunt. Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2002.
Sobre identidade, gênero e sexualidade:
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade. A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 2007.
LOPES, Denílson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.
LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho. Ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte, Autêntica, 2004.
LOURO, Guacira Lopes (org.) O corpo educado – pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001
Sobre psicanálise, identidade e gênero:
BIRMAN, Joel. Cartografias do feminino. São Paulo: Editora 34, 2003.
KEHL, Maria Rita. A mínima diferença. Rio de Janeiro, Imago, 1996
PEIXOTO JUNIOR, Carlos Augusto. Singularidade e subjetivação. Ensaios sobre clínica e cultura. Rio de Janeiro: 7 Letras/Editora PUC-Rio, 2008.
12 – apresentação, discussão e elaboração do programa da disciplina, organização das atividades do semestre.
19 - texto introdutório sobre identidade e cultura. Ler WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, Vozes, 2007, p. 7 a 72.
26 – algumas origens das opressões aos negros. Ler FANON, Frantz. O preto e a psicopatologia. In: Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Edufba, 2008, p. 127 a 174.
SETEMBRO
2 – com e contra Fanon. Ler BHABHA, Homi K. Interrogando a identidade. Frantz Fanon e a prerrogativa pós-colonial. In: ______. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003, p. 70 a 104.
9 - continuação da discussão sobre identidade e raça/etnia. Ler GILROY, Paul. O atlântico negro como contracultura da modernidade. In: O atlântico negro. São Paulo: Editora 34, p. 33 a 100.
16 - Ler Hall, Suart. Quem precisa de identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, Vozes, 2007, p. 103 a 133 e HALL, Stuart. Que “negro” é esse na cultura negra?. In: Da diáspora. Identidades e mediações culturais. Organização Liv Sovik, Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003, p. 335 a 349.
23 - Discussão sobre os aspectos teóricos e a política do movimento negro brasileiro. Ler texto RISÉRIO, Antonio. A utopia brasileira e os movimentos negros. São Paulo: Editora 34, p. 17 a 67.
30 – Quito (a confirmar)
OUTUBRO
7 – Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais) – Bolívia
14 - Discussões sobre auto-identidade. Ler GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002, p. 9 a 69.
21 - Continuação. Ler GIDDENS, Anthony. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002, p. 70 a 103.
28 – com e contra Giddens. CUNHA, Eduardo Leal. Quem quer que seja você, qualquer que seja seu desejo. In: Indivíduo singular e plural. A identidade em questão. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras, 2009, p 127 a 167.
NOVEMBRO
4 – Gênero, identidade e psicanálise - MITCHELL, Juliet. Freud e Lacan: teorias psicanalíticas da diferença sexual. In: Psicanálise da sexualidade feminina. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1988. p. 27-54.
11 - Problematizando o conceito de gênero e o feminismo de segunda onda. Ler BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003, p. 17 a 60.
18 - A teoria da performatividade de gênero. Ler BUTLER, Judith. Críticamente subversiva. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 55 a 81.
25 – Pensando as políticas de gênero. Ler MOUFFE, Chantal. Feminismo, cidadania e política democrática radical. In: Debate Feminista. Ed. Especial Cidadania e Feminismo, México / São Paulo, 1999, p. 29 a 47 e BONDI, Liz. Localizar as políticas de identidade. In: Debate Feminista. Ed. Especial Cidadania e Feminismo, México / São Paulo, 1999, p.245 a 265.
DEZEMBRO
2 - GAMSON, Joshua. Deben autodestruirse los movimientos identitarios? Un extraño dilema. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 141 a 172.
Obras panorâmicas básicas – leituras pressupostas
Sobre identidade:
BAUMANN, Zygmunt. Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2002.
Sobre identidade, gênero e sexualidade:
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade. A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 2007.
LOPES, Denílson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.
LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho. Ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte, Autêntica, 2004.
LOURO, Guacira Lopes (org.) O corpo educado – pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001
Sobre psicanálise, identidade e gênero:
BIRMAN, Joel. Cartografias do feminino. São Paulo: Editora 34, 2003.
KEHL, Maria Rita. A mínima diferença. Rio de Janeiro, Imago, 1996
PEIXOTO JUNIOR, Carlos Augusto. Singularidade e subjetivação. Ensaios sobre clínica e cultura. Rio de Janeiro: 7 Letras/Editora PUC-Rio, 2008.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Exuberancia Sin Critica
(Por Judith Butler, tradución Felipe Rivas San Martín)
Muy pocos podemos ser inmunes a la emoción de este momento. Mis amigos de izquierda me han escrito diciéndome que sienten algo parecido a la "redención", que "el país se ha vuelto hacia nosotros" o que "tenemos por fin a uno de los nuestros en la Casa Blanca". Por supuesto, como ellos, yo misma descubro que de pensar todo el día que el régimen de George W. Bush se acaba, me siento inundada por un sentimiento de incredulidad y emoción, de un enorme alivio. Y además, el pensamiento de Obama, un reflexivo y progresista candidato negro, cambia las bases históricas, y creemos que un cataclismo como ese, articula un nuevo terreno. Pero vamos a tratar de pensar cuidadosamente sobre este desplazamiento del terreno, aunque en este momento no podemos conocer plenamente sus contornos. La elección de Barack Obama es históricamente significativa en formas que aún no pueden ser dimensionadas, pero no es ni puede ser, una redención. Y si suscribimos a la mayor parte de los modos de identificación que Obama propone ("estamos todos unidos") o que nosotros mismos proponemos ("es uno de los nuestros"), nos arriesgamos a creer que este momento político puede superar los antagonismos que son constitutivos de la vida política, especialmente la vida política en estos tiempos. Siempre ha habido buenas razones para no aceptar "la unidad nacional" como un ideal, y para abrigar sospechas hacia la identificación absoluta y sin fisuras con cualquier líder político. Después de todo, el fascismo se basó en parte en esa identificación sin fisuras con el líder, y los republicanos participan de este mismo esfuerzo para organizar sus influencias políticas, por ejemplo, cuando Elizabeth Dole da una mirada a la audiencia y dice: "Los amo a todos y cada uno de ustedes".
Lo que vuelve aún más necesario pensar acerca de esta política de exuberante identificación con la elección de Obama, es si tenemos en cuenta que el apoyo a Obama ha coincidido con el apoyo a causas conservadoras. En cierto modo, este fenómeno llegó a ser parte de su "cruzada por" el éxito. En California, ganó por el 60% de la votación y, sin embargo, una porción significativa de quienes votaron por él también votó en contra de la legalización del matrimonio entre homosexuales (52%). ¿Cómo entender esta aparente contradicción? En primer lugar, recordemos que Obama nunca ha apoyado explícitamente el derecho al matrimonio gay. Además, como Wendy Brown ha afirmado, los republicanos han descubierto que el electorado no está tan abanderado por cuestiones "morales" como sí lo estuvieron ellos en las últimas elecciones, que las razones aducidas por la gente que votó a favor de Obama parecen ser predominantemente económicas, y que su razonamiento parece más plenamente estructurado por lógicas neo-liberales que por la racionalidad religiosa. Esta es claramente una de las razones por las que la función pública asignada a Palin de construir una mayoría electoral sobre la base de cuestiones morales, finalmente fracasó. Pero si cuestiones "morales" tales como el control de armas, los derechos al aborto y los derechos de los homosexuales no son tan determinantes como lo fueron una vez, sea quizás porque está emergiendo una extraña compartimentalización de la mentalidad política. En otras palabras, nos enfrentamos a nuevas configuraciones de las opiniones políticas que hacen posible la celebración de opiniones aparentemente discrepantes, al mismo tiempo: alguien puede, por ejemplo, no estar de acuerdo con Obama en ciertos temas, pero aún así han votado a favor de él. Esto se hizo más evidente en la aparición de un "contra-efecto-Bradley"(1), cuando los votantes aceptaban -explícitamente o no- hasta su propio racismo, pero decían que votarían por Obama de todas formas. Anécdotas de este tipo incluyen reclamaciones como el siguiente: "Sé que Obama es un musulmán y un terrorista, pero voy a votar por él de todos modos, él es probablemente lo mejor para la economía". Tales votantes tienen que mantener su racismo y al mismo tiempo votar a favor de Obama, resguardando su propia contradicción de creencias y sin tener la necesidad de resolverla.
Junto con una fuerte motivación económica, factores menos empíricamente discernibles entran en juego en estos resultados electorales. No podemos subestimar la fuerza de la des-identificación en esta elección, un sentimiento de repulsión hacia George W. como "representante" de la imagen de los Estados Unidos para el resto del mundo, un sentimiento de vergüenza sobre nuestras prácticas de la tortura y la detención ilegal, un sentido de disgusto que tenemos por haber iniciado una guerra con motivos falsos y propagar opiniones racistas del Islam, un sentimiento de alarma y horror frente a una crisis económica mundial provocada por los extremismos de la desregulación económica. ¿Es que a pesar de su raza, o tal vez por razón de su raza, que Obama surgió finalmente como el representante ideal de la nación? Desempeñando esa función representativa, él es al mismo tiempo negro y no-negro (algunos afirman que "no lo suficientemente negro" y otros dicen "demasiado negro"), y, como resultado, puede recurrir a los votantes que no sólo no tienen ninguna forma de resolver su ambivalencia sobre este tema, sino que además no quieren una resolución. La figura pública que permite a la población mantener y enmascarar su ambivalencia, sin embargo, aparece como la figura de "unidad": esta es sin duda una función ideológica. Tales momentos son intensamente imaginarios, pero no por eso dejan de tener una enorme fuerza política.
A medida que la elección se acercaba, se ha producido una mayor atención a la persona de Obama: su seriedad, su carácter deliberativo, su capacidad de no perder el temperamento, su manera de modelar una cierta serenidad en el rostro ante los ataques hirientes y la retórica política vil, su promesa de restablecer una versión de la nación que supere su actual vergüenza. Por supuesto, la promesa es atractiva, pero aún cuando la elección de Obama nos lleva a la convicción de que podemos superar todas las diferencias, ¿es esa unidad verdaderamente posible? ¿Cuál es la posibilidad que nosotros terminemos sufriendo una inevitable decepción cuando este líder carismático muestre su falibilidad, su complacencia al transar o incluso a vender a las minorías? Él, en efecto, ya lo ha hecho en algunos medios, pero muchos de nosotros "dejamos de lado" nuestros propios intereses, a fin de disfrutar de la no-ambivalencia(2) extrema de este momento, con el evidente riesgo de caer en un jolgorio acrítico, incluso cuando podemos tener muy claro lo contrario. Obama es, después de todo, apenas uno más de izquierda, independientemente de las atribuciones de "socialismo" proferidas por sus adversarios conservadores. ¿De qué manera estarán sus acciones limitadas por la política de los partidos, por intereses económicos, y por el poder del Estado; de qué manera se han comprometido ya? Si buscamos a través de esta Presidencia poder superar la sensación de disonancia, entonces tendremos que desechar la crítica política en favor de una exuberancia cuyas dimensiones fantasmáticas demostrarán sus consecuencias. Tal vez no podemos evitar este momento fantasmático, pero debemos ser conscientes que es sólo temporal. Así como hay racistas declarados que han dicho, "sé que él es un musulmán y un terrorista, pero voy a votar por él de todos modos," existen también las personas de izquierda que dicen, "Sé que ha vendido los derechos gays y de Palestina, pero él sigue siendo nuestra redención". "Lo sé muy bien, pero aún así": esta es la clásica formulación del desconocimiento. ¿A través de qué mecanismos mantenemos y enmascaramos conflictos de principios de este tipo? ¿Y a qué costo político?
No cabe duda de que el triunfo de Obama tendrá efectos significativos en el rumbo económico de la nación, y parece razonable suponer que veremos una nueva justificación de la regulación económica y de un enfoque de economía social que se asemeje a las formas democráticas en Europa. En Relaciones Exteriores, vamos a ver, sin duda, una renovación de las relaciones multi-laterales, dejando atrás una tendencia fatal de destrucción de los acuerdos multilaterales, que la administración Bush ha llevado a cabo. Y habrá también, sin duda, una tendencia a ir más allá de la lógica general liberal sobre cuestiones sociales, aunque es importante recordar que Obama no ha apoyado la atención de salud universal, y no ha podido apoyar explícitamente el derecho al matrimonio gay. Y aún no hay muchos motivos para alojar esperanzas de que vaya a formular una política justa de los Estados Unidos en Oriente Medio, a pesar de que es un alivio, para estar seguros, que él sabe Rashid Khalidi.
La indiscutible importancia de su elección tiene todo que ver con la superación de los límites implícitamente impuestos a los logros afro-americanos, sentimiento que ha de inundar e inspirar a jóvenes afro-americanos, pero también y al mismo tiempo, precipitar un cambio en la auto-definición de los Estados Unidos. Si la elección de Obama es señal de una voluntad por parte de la mayoría de los votantes a ser "representados" por este hombre, entonces eso es un ejemplo de cómo el "nosotros" se está constituyendo de nuevo: somos una nación de muchas razas, de la mezcla de razas; y él nos ofrece la ocasión para reconocer cómo hemos llegado a ser lo que somos y lo que aún nos queda por ser, y de esta manera existe una cierta división entre la función de representativa de la Presidencia por un lado y la población representada por otro, debe ser superada. Ese es un momento emocionante, no cabe duda. Pero puede terminar, ¿y entonces qué?
¿Qué consecuencias tendrá esta expectativa casi mesiánica investida en este líder? Con el fin de que esta Presidencia pueda tener éxito, deberá dar lugar a cierta decepción, decepción para sobrevivir: el hombre se convertirá en humano, se demostrará menos poderoso de lo que nosotros esperábamos, y la política dejará de ser una celebración sin ambivalencia y cautela. De hecho, la política va a demostrar ser menos una experiencia mesiánica que un lugar sólido para el debate, la crítica pública, y el antagonismo necesario. La elección de Obama significa que el terreno para el debate y la lucha han cambiado, y ahora es un terreno mejor, estemos seguros. Pero no es el final de la lucha, y sería muy imprudente de nuestra parte considerar lo contrario, incluso provisionalmente. Estamos, sin duda, de acuerdo y en desacuerdo con varias acciones que Obama toma y no toma. Pero si la expectativa inicial es que él es y será la "redención" en sí, entonces lo castigaremos sin piedad cuando nos falle (o vamos a encontrar la forma de negar o reprimir la decepción a fin de mantener viva la ilusión de la unidad y el amor sin ambivalencias).
Si una consecuente y dramático decepción quiere ser evitada, él tendrá que actuar rápido y bien. Tal vez la única manera de evitar un "quiebre" - una decepción de proporciones graves que a su vez pueda tornar la voluntad política en su contra - será la de tomar acciones decisivas en los dos primeros meses de su presidencia. La primera sería la de cerrar Guantánamo y encontrar maneras de transferir los casos de los detenidos a tribunales legítimos, y la segunda sería la de forjar un plan para la retirada de las tropas de Iraq y para comenzar a aplicar ese plan. La tercera sería la de retractarse de sus belicosas observaciones sobre la escalada de la guerra en Afganistán y llevar a cabo relaciones diplomáticas, soluciones multilaterales en esa esfera. Si él no toma estos pasos, su apoyo en la izquierda irá deteriorándose paulatinamente, y veremos la reconfiguración de la división entre halcones liberales y la izquierda anti-guerra. Si él nombra las principales posiciones del gabinete en base a los gustos de Lawrence Summers, o continúa las políticas económicas fallidas de Clinton y Bush, entonces en algún momento, el Mesías será despreciado como un falso profeta. En lugar de una promesa imposible, necesitamos una serie de acciones concretas que puedan comenzar a revertir la terrible derogación de la justicia cometida por el régimen de Bush, si no se cumple con eso, dará lugar a una dramática consecuente desilusión. La pregunta es qué medida de des-ilusión es necesaria en orden a recuperar una crítica política, y qué forma más dramática de "des-ilusionamiento" nos devolverá al mismo cinismo político de los últimos años. Algún remedio para esta ilusión es necesario, para que podamos recordar que la política no se trata de la persona o de la hermosa e imposible promesa que esa persona representa, sino que se trata de los cambios concretos en las políticas que podrían comenzar, que con el tiempo, y con dificultad, se puedan crear las condiciones de una mayor justicia.
NOTAS
(1) N. del T. El efecto Bradley, se refiere a Tom Bradley, un afroamericano que era considerado por encuestas como el virtual ganador de las elecciones para gobernador de California en 1982 por el partido demócrata, pero perdió de manera sorpresiva por un cerrado margen ante George Deukmejian. En los comicios estaduales de California hubo electores blancos que en los sondeos daban su voto por Bradley, pero al votar cambiaron de parecer aquejados por ideas racistas. Al parecer, los votantes blancos no se animaron a decir que no iban a votar al candidato negro para no ser tildados de "racistas". Butler usa la frase "counter Bradley-efect".
(2) N. del T: En el texto en inglés, Butler ocupa el término "un-ambivalence" que puede ser traducido literalmente como no-ambivalencia, estabilidad, etc. Tanto el concepto de "ambivalente" (ambivalencia), como el de "unambivalence", son utilizados en psiquiatría y psicoanálisis. Por otra parte, la separación con guión podría ser también un juego de palabras para referir a la idea de "UN-ambivalence" (ambivalencia de la ONU) en relación a políticas de paz, etc. De todos modos, estos usos de sentido son sólo conjeturas.
Muy pocos podemos ser inmunes a la emoción de este momento. Mis amigos de izquierda me han escrito diciéndome que sienten algo parecido a la "redención", que "el país se ha vuelto hacia nosotros" o que "tenemos por fin a uno de los nuestros en la Casa Blanca". Por supuesto, como ellos, yo misma descubro que de pensar todo el día que el régimen de George W. Bush se acaba, me siento inundada por un sentimiento de incredulidad y emoción, de un enorme alivio. Y además, el pensamiento de Obama, un reflexivo y progresista candidato negro, cambia las bases históricas, y creemos que un cataclismo como ese, articula un nuevo terreno. Pero vamos a tratar de pensar cuidadosamente sobre este desplazamiento del terreno, aunque en este momento no podemos conocer plenamente sus contornos. La elección de Barack Obama es históricamente significativa en formas que aún no pueden ser dimensionadas, pero no es ni puede ser, una redención. Y si suscribimos a la mayor parte de los modos de identificación que Obama propone ("estamos todos unidos") o que nosotros mismos proponemos ("es uno de los nuestros"), nos arriesgamos a creer que este momento político puede superar los antagonismos que son constitutivos de la vida política, especialmente la vida política en estos tiempos. Siempre ha habido buenas razones para no aceptar "la unidad nacional" como un ideal, y para abrigar sospechas hacia la identificación absoluta y sin fisuras con cualquier líder político. Después de todo, el fascismo se basó en parte en esa identificación sin fisuras con el líder, y los republicanos participan de este mismo esfuerzo para organizar sus influencias políticas, por ejemplo, cuando Elizabeth Dole da una mirada a la audiencia y dice: "Los amo a todos y cada uno de ustedes".
Lo que vuelve aún más necesario pensar acerca de esta política de exuberante identificación con la elección de Obama, es si tenemos en cuenta que el apoyo a Obama ha coincidido con el apoyo a causas conservadoras. En cierto modo, este fenómeno llegó a ser parte de su "cruzada por" el éxito. En California, ganó por el 60% de la votación y, sin embargo, una porción significativa de quienes votaron por él también votó en contra de la legalización del matrimonio entre homosexuales (52%). ¿Cómo entender esta aparente contradicción? En primer lugar, recordemos que Obama nunca ha apoyado explícitamente el derecho al matrimonio gay. Además, como Wendy Brown ha afirmado, los republicanos han descubierto que el electorado no está tan abanderado por cuestiones "morales" como sí lo estuvieron ellos en las últimas elecciones, que las razones aducidas por la gente que votó a favor de Obama parecen ser predominantemente económicas, y que su razonamiento parece más plenamente estructurado por lógicas neo-liberales que por la racionalidad religiosa. Esta es claramente una de las razones por las que la función pública asignada a Palin de construir una mayoría electoral sobre la base de cuestiones morales, finalmente fracasó. Pero si cuestiones "morales" tales como el control de armas, los derechos al aborto y los derechos de los homosexuales no son tan determinantes como lo fueron una vez, sea quizás porque está emergiendo una extraña compartimentalización de la mentalidad política. En otras palabras, nos enfrentamos a nuevas configuraciones de las opiniones políticas que hacen posible la celebración de opiniones aparentemente discrepantes, al mismo tiempo: alguien puede, por ejemplo, no estar de acuerdo con Obama en ciertos temas, pero aún así han votado a favor de él. Esto se hizo más evidente en la aparición de un "contra-efecto-Bradley"(1), cuando los votantes aceptaban -explícitamente o no- hasta su propio racismo, pero decían que votarían por Obama de todas formas. Anécdotas de este tipo incluyen reclamaciones como el siguiente: "Sé que Obama es un musulmán y un terrorista, pero voy a votar por él de todos modos, él es probablemente lo mejor para la economía". Tales votantes tienen que mantener su racismo y al mismo tiempo votar a favor de Obama, resguardando su propia contradicción de creencias y sin tener la necesidad de resolverla.
Junto con una fuerte motivación económica, factores menos empíricamente discernibles entran en juego en estos resultados electorales. No podemos subestimar la fuerza de la des-identificación en esta elección, un sentimiento de repulsión hacia George W. como "representante" de la imagen de los Estados Unidos para el resto del mundo, un sentimiento de vergüenza sobre nuestras prácticas de la tortura y la detención ilegal, un sentido de disgusto que tenemos por haber iniciado una guerra con motivos falsos y propagar opiniones racistas del Islam, un sentimiento de alarma y horror frente a una crisis económica mundial provocada por los extremismos de la desregulación económica. ¿Es que a pesar de su raza, o tal vez por razón de su raza, que Obama surgió finalmente como el representante ideal de la nación? Desempeñando esa función representativa, él es al mismo tiempo negro y no-negro (algunos afirman que "no lo suficientemente negro" y otros dicen "demasiado negro"), y, como resultado, puede recurrir a los votantes que no sólo no tienen ninguna forma de resolver su ambivalencia sobre este tema, sino que además no quieren una resolución. La figura pública que permite a la población mantener y enmascarar su ambivalencia, sin embargo, aparece como la figura de "unidad": esta es sin duda una función ideológica. Tales momentos son intensamente imaginarios, pero no por eso dejan de tener una enorme fuerza política.
A medida que la elección se acercaba, se ha producido una mayor atención a la persona de Obama: su seriedad, su carácter deliberativo, su capacidad de no perder el temperamento, su manera de modelar una cierta serenidad en el rostro ante los ataques hirientes y la retórica política vil, su promesa de restablecer una versión de la nación que supere su actual vergüenza. Por supuesto, la promesa es atractiva, pero aún cuando la elección de Obama nos lleva a la convicción de que podemos superar todas las diferencias, ¿es esa unidad verdaderamente posible? ¿Cuál es la posibilidad que nosotros terminemos sufriendo una inevitable decepción cuando este líder carismático muestre su falibilidad, su complacencia al transar o incluso a vender a las minorías? Él, en efecto, ya lo ha hecho en algunos medios, pero muchos de nosotros "dejamos de lado" nuestros propios intereses, a fin de disfrutar de la no-ambivalencia(2) extrema de este momento, con el evidente riesgo de caer en un jolgorio acrítico, incluso cuando podemos tener muy claro lo contrario. Obama es, después de todo, apenas uno más de izquierda, independientemente de las atribuciones de "socialismo" proferidas por sus adversarios conservadores. ¿De qué manera estarán sus acciones limitadas por la política de los partidos, por intereses económicos, y por el poder del Estado; de qué manera se han comprometido ya? Si buscamos a través de esta Presidencia poder superar la sensación de disonancia, entonces tendremos que desechar la crítica política en favor de una exuberancia cuyas dimensiones fantasmáticas demostrarán sus consecuencias. Tal vez no podemos evitar este momento fantasmático, pero debemos ser conscientes que es sólo temporal. Así como hay racistas declarados que han dicho, "sé que él es un musulmán y un terrorista, pero voy a votar por él de todos modos," existen también las personas de izquierda que dicen, "Sé que ha vendido los derechos gays y de Palestina, pero él sigue siendo nuestra redención". "Lo sé muy bien, pero aún así": esta es la clásica formulación del desconocimiento. ¿A través de qué mecanismos mantenemos y enmascaramos conflictos de principios de este tipo? ¿Y a qué costo político?
No cabe duda de que el triunfo de Obama tendrá efectos significativos en el rumbo económico de la nación, y parece razonable suponer que veremos una nueva justificación de la regulación económica y de un enfoque de economía social que se asemeje a las formas democráticas en Europa. En Relaciones Exteriores, vamos a ver, sin duda, una renovación de las relaciones multi-laterales, dejando atrás una tendencia fatal de destrucción de los acuerdos multilaterales, que la administración Bush ha llevado a cabo. Y habrá también, sin duda, una tendencia a ir más allá de la lógica general liberal sobre cuestiones sociales, aunque es importante recordar que Obama no ha apoyado la atención de salud universal, y no ha podido apoyar explícitamente el derecho al matrimonio gay. Y aún no hay muchos motivos para alojar esperanzas de que vaya a formular una política justa de los Estados Unidos en Oriente Medio, a pesar de que es un alivio, para estar seguros, que él sabe Rashid Khalidi.
La indiscutible importancia de su elección tiene todo que ver con la superación de los límites implícitamente impuestos a los logros afro-americanos, sentimiento que ha de inundar e inspirar a jóvenes afro-americanos, pero también y al mismo tiempo, precipitar un cambio en la auto-definición de los Estados Unidos. Si la elección de Obama es señal de una voluntad por parte de la mayoría de los votantes a ser "representados" por este hombre, entonces eso es un ejemplo de cómo el "nosotros" se está constituyendo de nuevo: somos una nación de muchas razas, de la mezcla de razas; y él nos ofrece la ocasión para reconocer cómo hemos llegado a ser lo que somos y lo que aún nos queda por ser, y de esta manera existe una cierta división entre la función de representativa de la Presidencia por un lado y la población representada por otro, debe ser superada. Ese es un momento emocionante, no cabe duda. Pero puede terminar, ¿y entonces qué?
¿Qué consecuencias tendrá esta expectativa casi mesiánica investida en este líder? Con el fin de que esta Presidencia pueda tener éxito, deberá dar lugar a cierta decepción, decepción para sobrevivir: el hombre se convertirá en humano, se demostrará menos poderoso de lo que nosotros esperábamos, y la política dejará de ser una celebración sin ambivalencia y cautela. De hecho, la política va a demostrar ser menos una experiencia mesiánica que un lugar sólido para el debate, la crítica pública, y el antagonismo necesario. La elección de Obama significa que el terreno para el debate y la lucha han cambiado, y ahora es un terreno mejor, estemos seguros. Pero no es el final de la lucha, y sería muy imprudente de nuestra parte considerar lo contrario, incluso provisionalmente. Estamos, sin duda, de acuerdo y en desacuerdo con varias acciones que Obama toma y no toma. Pero si la expectativa inicial es que él es y será la "redención" en sí, entonces lo castigaremos sin piedad cuando nos falle (o vamos a encontrar la forma de negar o reprimir la decepción a fin de mantener viva la ilusión de la unidad y el amor sin ambivalencias).
Si una consecuente y dramático decepción quiere ser evitada, él tendrá que actuar rápido y bien. Tal vez la única manera de evitar un "quiebre" - una decepción de proporciones graves que a su vez pueda tornar la voluntad política en su contra - será la de tomar acciones decisivas en los dos primeros meses de su presidencia. La primera sería la de cerrar Guantánamo y encontrar maneras de transferir los casos de los detenidos a tribunales legítimos, y la segunda sería la de forjar un plan para la retirada de las tropas de Iraq y para comenzar a aplicar ese plan. La tercera sería la de retractarse de sus belicosas observaciones sobre la escalada de la guerra en Afganistán y llevar a cabo relaciones diplomáticas, soluciones multilaterales en esa esfera. Si él no toma estos pasos, su apoyo en la izquierda irá deteriorándose paulatinamente, y veremos la reconfiguración de la división entre halcones liberales y la izquierda anti-guerra. Si él nombra las principales posiciones del gabinete en base a los gustos de Lawrence Summers, o continúa las políticas económicas fallidas de Clinton y Bush, entonces en algún momento, el Mesías será despreciado como un falso profeta. En lugar de una promesa imposible, necesitamos una serie de acciones concretas que puedan comenzar a revertir la terrible derogación de la justicia cometida por el régimen de Bush, si no se cumple con eso, dará lugar a una dramática consecuente desilusión. La pregunta es qué medida de des-ilusión es necesaria en orden a recuperar una crítica política, y qué forma más dramática de "des-ilusionamiento" nos devolverá al mismo cinismo político de los últimos años. Algún remedio para esta ilusión es necesario, para que podamos recordar que la política no se trata de la persona o de la hermosa e imposible promesa que esa persona representa, sino que se trata de los cambios concretos en las políticas que podrían comenzar, que con el tiempo, y con dificultad, se puedan crear las condiciones de una mayor justicia.
NOTAS
(1) N. del T. El efecto Bradley, se refiere a Tom Bradley, un afroamericano que era considerado por encuestas como el virtual ganador de las elecciones para gobernador de California en 1982 por el partido demócrata, pero perdió de manera sorpresiva por un cerrado margen ante George Deukmejian. En los comicios estaduales de California hubo electores blancos que en los sondeos daban su voto por Bradley, pero al votar cambiaron de parecer aquejados por ideas racistas. Al parecer, los votantes blancos no se animaron a decir que no iban a votar al candidato negro para no ser tildados de "racistas". Butler usa la frase "counter Bradley-efect".
(2) N. del T: En el texto en inglés, Butler ocupa el término "un-ambivalence" que puede ser traducido literalmente como no-ambivalencia, estabilidad, etc. Tanto el concepto de "ambivalente" (ambivalencia), como el de "unambivalence", son utilizados en psiquiatría y psicoanálisis. Por otra parte, la separación con guión podría ser también un juego de palabras para referir a la idea de "UN-ambivalence" (ambivalencia de la ONU) en relación a políticas de paz, etc. De todos modos, estos usos de sentido son sólo conjeturas.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Duas resenhas sobre o livro Modernidade e Identidade
Gente,
É bacana ler essas resenhas porque dão uma complementada na leitura - principalmente porque não tivemos acesso ao livro todo.
Vejam aí!
Bjos, Tess
Sônia Regina da Cal Seixas Barbosa - Pesquisadora Unicamp
Rafaela Cyrino Peralva Dias - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
É bacana ler essas resenhas porque dão uma complementada na leitura - principalmente porque não tivemos acesso ao livro todo.
Vejam aí!
Bjos, Tess
Sônia Regina da Cal Seixas Barbosa - Pesquisadora Unicamp
Rafaela Cyrino Peralva Dias - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Giddens
Pessoas.
Leiam o texto do Eduardo, com críticas às reflexões de Giddens a partir Freud.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982007000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
abrs, leandro
Leiam o texto do Eduardo, com críticas às reflexões de Giddens a partir Freud.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982007000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
abrs, leandro
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Links e Maffesoli
Oi pessoas.
Os textos da prof Liv podem ser lidos nos site http://www.cult.ufba.br/enecul2005/LivSovik.pdf
http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/contemporanea/article/view/103/0
O texto do Vitor Ramil está em
http://www.vitorramil.com.br/estetica.htm
O renomado sociólogo francês Michel> Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre a Atual e o Cotidiano, na Sorbonne, autor de dezenas de livros, entre os quais O tempo das tribos,> fará palestra no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, com o título "Um> mundo re-encantado? ", no próximo dia 13 de outubro, das 9h às 11h.
A iniciativa é da Escola de Enfermagem da UFBA e de seu Programa de Pós-Graduação,> com apoio do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade - GIPE-CIT. A entrada é> franca, com inscrições no local a partir das 8h30.
Os textos da prof Liv podem ser lidos nos site http://www.cult.ufba.br/enecul2005/LivSovik.pdf
http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/contemporanea/article/view/103/0
O texto do Vitor Ramil está em
http://www.vitorramil.com.br/estetica.htm
O renomado sociólogo francês Michel> Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre a Atual e o Cotidiano, na Sorbonne, autor de dezenas de livros, entre os quais O tempo das tribos,> fará palestra no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, com o título "Um> mundo re-encantado? ", no próximo dia 13 de outubro, das 9h às 11h.
A iniciativa é da Escola de Enfermagem da UFBA e de seu Programa de Pós-Graduação,> com apoio do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade - GIPE-CIT. A entrada é> franca, com inscrições no local a partir das 8h30.
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